domingo, 6 de setembro de 2009
Inesperadamente fim
Virginia não chorava, a dor de perder alguém já se fazia tão presente em sua vida que suas lágrimas não saíam mais. ― Por quê? Ela perguntava sem resposta. Eduardo morrera de repente, uma bala perdida em um tiroteio o sentenciou. Seus pensamentos voltavam e buscavam respostas, o remorso e a culpa a deixava com vontade de nunca ter visto aquele homem.
Era tarde de domingo e a noite logo chegaria, chovia. O rosto assustado de Eduardo evidenciou que não esperava Virgínia naquele horário. Ela segurava uma rosa. Sua postura o deixou tímido, eles haviam discutido no final de semana passado, ela chorara muito e saiu prometendo nunca mais voltar. Ele fitou-a por algum tempo, sua pele branca como a neve, seu olhar doce e tênue como um cisne, a rosa que segurava era tão vermelha que lhe parecia sangue novo, autêntica, seus olhos azuis tinham uma maneira peculiar de prender-lhe a atenção: ― Entre. Finalmente ele a chamou.
Quando começaram a sair, Virginia trabalhava em uma loja de conveniências, dentro de um parque de diversões. ― Deseja mais alguma coisa? Essa pergunta ficou na cabeça de Eduardo durante toda uma noite, nunca tinha ido tanto a um parque como naqueles dias, não podia ficar sem ver os olhos de Virginia. Eles se divertiram muito naquele parque. Namorados. Lá de cima, via-se tudo girando, uma gritaria misturada a um momento de diversão, figuras metálicas se movimentavam de lá para cá, tudo ficava pequeno visto dali, árvores cheias de folhas delimitavam o espaço do lugar. Algo mágico para Eduardo, até ver estruturas feias e inacabadas em torno do parque. Casinhas de um vilarejo pobre que cercava o grande complexo de lazer e entretenimento. De família rica e tradicional, ele não conhecia a pobreza.
A chuva começou a cair quando Eduardo perguntou:
― Quer beber alguma coisa?
― Você me perdoa? Disse Virgínia sem dar atenção à pergunta.
Eduardo a beijou. ― Claro que te perdôo, vamos tomar um banho, você deve estar com frio. Eduardo já havia dito que não se sentia bem com o ciúme acentuado de Virgínia, ela extrapolara no final de semana passado. E lá estava ela deitada no sofá, cabelos molhados, segurando a mão do homem que nunca mais voltaria a ver. ― Vamos ao parque? Você não irá trabalhar hoje, vamos nos divertir.
A noite era realmente especial, a chuva parou de cair e um ar úmido e tímido deixava os dois mais perto um do outro. O sentimento mais puro que Virginia já sentira, ela o amava muito, seus cabelos castanhos, olhos verdes, sua beleza descontraída. O ar se tornou pesado inesperadamente, Virgínia sentia que Eduardo não estava mais ali, o sangue estava em suas mãos, os olhos escureceram. O parque fora invadido por alguns moradores do vilarejo. No confronto, ele foi atingido. O único grande amor de Virginia se fora. Sozinha.
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